agosto 24, 2006



O retrato fiel
Gilka Machado

Não creias nos meus retratos,
nenhum deles me revela,
ai, não me julgues assim!

Minha cara verdadeira
fugiu às penas do corpo,
ficou isenta da vida.

Toda minha faceirice
e minha vaidade toda
estão na sonora face;

Naquela que não foi vista
e que paira, levitando,
em meio a um mundo de cegos.

Os meus retratos são vários
e neles não terás nunca
o meu rosto de poesia.

Não olhes os meus retratos,
nem me suponhas em mim.

agosto 23, 2006



Musa
Sophia Andressen

Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos
Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu súbito falar
Que me foge de repente.

agosto 22, 2006



Soneto - Mulher Abstrata
Ângela Bretas

Sou quem sou, simplesmente mulher, não fujo, nem nego,
Corro risco, atropelo perigo, avanço sinal, ignoro avisos.
Procuro viver, sem medo, sem dor, com calor, aconchego,
Supro carências, rego desejos, desabrocho em risos...

Matéria cobiçada... na tez macia, no calor ardente.
Alma pura, envolta em completa fissura. Sem frescuras !
Encontro prazer na forma completa, repleta, latente.
Meretriz sem pudor, mulher no ponto, uva madura!

Sou quadro abstrato, me entrego no ato à paixão que aflora.
Sou enigma permanente, sem ponto final, sem continências,
Sou mulher tão somente, vivendo o momento, sorvendo as horas.

Sou pétala recolhida, sem forma, sem cor, completa em essência.
Exalo a esperança, transpiro vontades. Não me tenhas senhora.
Sou mulher insolúvel, nada volúvel. Vivo a vida em reticências...

agosto 21, 2006




IV - Esta tarde a trovoada caiu
Alberto Caeiro

Esta tarde a trovoada caiu
Pelas encostas do céu abaixo
Como um pedregulho enorme...
Como alguém que duma janela alta
Sacode uma toalha de mesa,
E as migalhas, por caírem todas juntas,
Fazem algum barulho ao cair,
A chuva chovia do céu
E enegreceu os caminhos ...

Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz que não,
Não sei porquê ... eu não tinha medo ...

agosto 20, 2006




Seus bichanos
Waldyr Argento Jr.

Entra e sai ano,
Soninha e seus bichanos,
gatinhos que ela adora,
não tem dia, nem hora.

Tem amor,
comidinha do dia,
Tem calor,
mão que acaricia.

Felizes são com certeza,
tratados por essa flor
da natureza.

Que com toda destreza,
dá-lhes todo amor,
empresta-lhes beleza.

Dedico este post a minha filha Juju e aos
meus netos felinos, Whisky, Lili e Léo!

agosto 19, 2006




Tabacaria
Álvaro de Campos
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar do papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Dedico este post para minha filha Mari ...
come chocolates pequena!!!

agosto 18, 2006



Estrelas no tempo
Leslie Holanda

Estrelo o tempo
Nas cores vivas do segundo
Um estrelar de momentos
Um cintilar do vento
Matizando pensamentos
Estrelo o tempo
Em diversas formas
Estrelários de mim
Guia de instantes
Eminentes, renascentes
Cadentes enfim...
Estrelo o tempo
No finito hoje
Infinito horizonte
Desejos...um encontro
Possibilidades sem fim

agosto 17, 2006



Mulher
Leslie Holanda

Delicada pele
Sensual aroma
Linhas inevitáveis
Mistérios escondidos
Sensibilidade revelada
Força declarada
Fraquezas descaradamente chorada
Alegria sorrindo
Intuitivamente agindo
Amor exaurindo
Vida permitindo

agosto 16, 2006



Feitiço da Lua III
Leslie Holanda

Na floresta as festas continuam
Os caldeirões fervendo
Trocamos ainda porções
Alegres ou tristes
Sempre nos encontramos
e encantamos
Em olhares
Esbarramos
Há sempre um olhar
Há sempre festas
Há sempre magias
Há o lugar...
Esperamos você
Na madrugada,
no amanhecer
Vem aquecer
Vem festejar
Vem namorar
Vem luar.

agosto 15, 2006



As Borboletas e Você
Leslie Holanda

As Borboletas existem em você. Coloridas voando,
sobrevoando em você. Sei que elas em ti são
felicidade, verdade, sinceridade, realidade
enfim...Às vezes, não as percebemos mas, lá
estão, esperando desabrochar, esperando ser
vivida.
Existem também em nós, algumas lagartas, que
ainda não sabem mas, logo irão transformar-se...
Metamorfose que acontece sem menos esperar,
simplesmente porque são partes da vida.
E vida é transformar.
Que as borboletas em você saltem na alegria da
simplicidade , na busca da serenidade. Viva o
arco-íris, a felicidade das borboletas que há em você.